Plantio da soja com El Niño forte pede cautela

Em 30 segundos
- O El Niño deve seguir muito forte até dezembro, com chuva irregular em boa parte do Centro-Oeste.
- O plantio da soja 2026/27 começou devagar no sequeiro de Mato Grosso, à espera de umidade no solo.
- Plantar na hora certa e manter a nutrição em dia ajudam a lavoura a atravessar os períodos secos.
O plantio da soja em ano de El Niño forte cobra mais atenção do produtor. A chuva vem, mas vem mal distribuída. Num talhão chove bem, no vizinho quase nada. E o calor aperta justo quando a semente está no chão.
Neste texto você vai ver o que as previsões indicam para a primavera, como está o ritmo da semeadura e o que pesa na decisão de plantar agora ou esperar mais uns dias.
El Niño muito forte deve marcar o fim de 2026
é a chance de El Niño muito forte entre outubro e dezembro de 2026, segundo a NOAA/CPC, em dado publicado pela Agrolink (2026).
O Inmet também espera que o fenômeno siga forte nesse trimestre, de acordo com a mesma reportagem da Agrolink (2026).
O efeito muda de região para região:
Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e sul de Mato Grosso. Tende a ajudar a semeadura e o começo da soja. O outro lado é que chuva mais frequente também pode bagunçar o planejamento do plantio.
No Paraná, a dificuldade tem sido o excesso de chuva, que atrapalha o trabalho das máquinas em alguns momentos, segundo o Canal Rural (2026).
Como está o plantio da soja 2026/27
Até 24 de setembro, 3,4% da área de soja do Brasil estava semeada, contra 3,2% um ano antes, conforme a AgRural, em dado publicado pelo Compre Rural (2026). O Paraná lidera. Mato Grosso vem bem atrás, porque a chuva irregular ainda não deixou o plantio engrenar.
Em Mato Grosso, o Imea apontou 1,15% dos 13,05 milhões de hectares previstos já semeados até 18 de setembro, segundo a Agrolink (2026). O número ficou um pouco acima do ano passado, mas o próprio instituto lembra que o avanço depende da umidade do solo.
Boa parte do que foi plantado no estado está debaixo de pivô. No sequeiro, as máquinas seguem esperando chuva.
foi a máxima que a previsão chegou a indicar no Centro-Oeste. Calor que esquenta o solo e dificulta o plantio, segundo o Canal Rural (2026).
Por que o começo da lavoura pesa tanto
O produtor de Mato Grosso já viu esse filme.
Na safra 2023/24, também sob El Niño, a chuva irregular atrapalhou o estabelecimento das lavouras, e o estado teve a menor produtividade média dos últimos dez anos, segundo a CNA (2026).
Soja colhida em Mato Grosso no ano marcado pelo El Niño.
O que o Imea projeta para o estado nesta safra.
Fonte: Imea, em dado publicado pelo Compre Rural (2026).
E tem o efeito dominó. Quando a soja atrasa, sobra menos tempo para o milho, o algodão e outras culturas de segunda safra, como lembra a CNA (2026).
Por isso a pressa faz sentido até certo ponto. Plantar no pó e torcer pela chuva pode custar replantio, estande falho e semente perdida.
O que observar antes de entrar com a plantadeira
Umidade de verdade no solo
A semente de soja precisa absorver 50% do próprio peso em água para começar a germinar, segundo a Embrapa (2020). Sem essa água, ela fica no solo gastando reserva. A orientação da Embrapa é monitorar a umidade e só semear quando o ambiente permitir a germinação.
A umidade também define ajustes na plantadeira, como a profundidade da semente e a pressão da roda, para a semente ficar bem coberta e aproveitar a água em contato com o solo, segundo a mesma Embrapa (2020).
Chuva firme, e não pancada isolada
O Imea orienta conferir se o solo tem umidade e chuva suficientes antes de começar, e só acelerar a semeadura quando as primeiras chuvas vierem com volume e regularidade, segundo o Compre Rural (2026). Uma pancada boa num dia, seguida de dez dias de sol forte, não garante o arranque da lavoura.
Calor e solo quente
Dia muito quente esquenta o solo e deixa o ambiente mais difícil para a semente e para a plantinha recém-nascida. Em semana de calor forte e sem chuva firme na previsão, segurar alguns dias pode ser a decisão mais segura. Essa conta muda de fazenda para fazenda e vale fazer junto com o agrônomo.
Onde a nutrição entra no plantio da soja com El Niño
Nutriente nenhum substitui chuva.
Mas lavoura bem nutrida tem mais condição de reagir quando a água volta.
O potássio é um bom exemplo. Ele é o segundo nutriente mais extraído pela soja. Um estudo publicado na revista Pesquisa Agropecuária Brasileira (2012), editada pela Embrapa, testou soja com e sem falta de água.
O que o estudo encontrou
Soja com mais e com menos potássio, antes e depois da falta de água
A adubação com potássio não mudou o crescimento das plantas.
As plantas com mais potássio recuperaram melhor a fotossíntese.
Fonte: Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 47, n. 4 (2012).
No mesmo estudo, o potássio teve efeito principalmente sobre a condutância estomática, que é a abertura dos poros da folha por onde entra gás carbônico e sai água.
A leitura prática é simples. O nutriente não segura a lavoura no meio da seca, mas ajuda a planta a voltar a produzir quando chove de novo. Em ano de veranico, essa recuperação conta.
A base continua sendo a análise de solo e a adubação planejada para a cultura da soja, com fontes como o cloreto de potássio. Complementos com fertilizantes líquidos, como o SF MultiPro, entram dentro desse plano, nunca no lugar dele.
Resumo para levar para o campo
- Acompanhe a previsão do Inmet toda semana. O El Niño deve seguir forte até dezembro.
- Só entre com a plantadeira com umidade no perfil do solo e chuva regular na previsão.
- Ajuste profundidade e pressão da roda conforme a umidade de cada área.
- Lembre que atraso na soja aperta a janela da segunda safra.
- Mantenha a nutrição em dia, com base na análise de solo e na orientação técnica.
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